3.11.12

Autumn dream



@Ana



Once in the woods bones were leaves of all colors.
As they floated in the ground, wet and clean, the sunset was fulfilled by their presence.
Voices of light traveled through the branches. The loneliness of the fields became a distant memory. Birds increase even more their dance, as they were moved by such gentle souls.

A smile of life they share.

And as they went away the woods embrace night in an Autumn dream.

1.11.12

Piano



@Ana



Um piano demora vida numa sala vazia de gente.
O som mergulha nos sofás azuis, passeia pelo vidro da janelas, corre e desvanece no chão de madeira.

Na lareira dois corpos ficam. Queima-se lenha, palavras e vento.

A última nota roda no silêncio do meu pescoço. Adormece.

A chuva não chega.
O dia não sabe a tempo.


23.5.11

Carmo


@Ana



Cai.
Desliza até à epiderme da terra para dar alegria aos passos dos bichos.
Cai e faz do espaço tempo.

Fica.
E é a cor que é desenho da praça,
aroma,
saudade,
cidade entranhada.


Os jacarandás choram.
Descoberta e acontecida, a paixão convida o adeus.


É roxa a pedra.
E as minhas mãos abertas.

25.4.11

As três badaladas


@Ana


São três da tarde e o sol desperta no fundo da chávena de café.
É quente a ternura que chega das esquinas. Sorri o pobre à flor em repouso no seu colo.
Do chão vem céu e ele olha para ela reparando na fortuna. Pedra da calçada que afaga todos os dias como lâmpada mágica com desejos em atraso.

São três da tarde e a cidade desfaz-se em borras e em cheiro.
Emigrar é uma parede. Dentro de um quarto, de uma casa, no canto onde se encontra a velhice.
As estórias fogem pelos beirais, escorregando até aos girassóis, revendo a vida na varanda.

São três da tarde.
Não há mais mesa, despediram-se os pombos e a manhã não deixou gorjeta.

5.4.11

Tentar o tempo


@Ana



Pensei ser simples.
Pendurei a tua ténue alegria e deixei o sol examinar.

Um fio de lã até ser espaço para ti. A minha boca a tentar, beliscando a tua liberdade.

Era desejo ver ossos. A perfeição de duas estradas até ao teu peito, uma ruga de solidão guardada pela nudez.
Até aceitares.



Chove. Depois das árvores, no fim do crime.
Chove. Chove. Chove.


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